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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

L'Oreal distingue 3 jovens investigadoras portuguesas...

Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

In "Boas Notícias"  

L'Oreal distingue 3 jovens investigadoras portuguesas    

Legenda: Inês Gonçalves, Joana Tavares e Luísa Neves foram distinguidas, respetivamente, por investigações nas áreas do cancro, da malária e da reciclagem de gás anestésico

Desenvolver um material natural que pode combater o cancro do estômago, manipular moléculas para criar uma vacina contra a malária e reciclar o gás usado nas anestesias.
Estas são as três investigações de jovens cientistas portuguesas premiadas na 10.º edição do prémio L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência.

Nesta edição, o júri científico – presidido pelo Professor Alexandre Quintanilha – selecionou os trabalhos de Inês Gonçalves (oncologia), Joana Tavares (Malária) e Luísa Neves entre (gás anestésico) entre cerca de 100 candidaturas.
As galardoadas recebem a “Medalha de Honra” e 20 mil euros de financiamento numa cerimónia que decorre esta quarta-feira, dia 29, no Pátio da Galé, em Lisboa.
 
Inês Gonçalves (doutorada em Engenharia Biomédica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) está a desenvolver um biomaterial capaz de se ligar à bactéria Helicobacter pylori, cuja infeção persistente está associada aos cancros gástricos, e que poderá remover esta bactéria do estômago.
 
Com o projeto agora distinguido, a investigadora quer eliminar a bactéria Helicobacter pylori do estômago, através do desenvolvimento de novos biomateriais com a forma de microesferas.
Quando tomadas por via oral, estas pequenas esferas irão ligar-se às bactérias presentes no estômago, removendo-as pelo trato gastrointestinal.
 
Produzidas com um polímero natural proveniente da quitina existente no endosqueleto da lula - o quitosano - e revestidas com açúcares semelhantes aos existentes na parede e mucos do estômago, as microesferas terão diferentes dimensões e porosidades para que possam alcançar e ligar-se às bactérias nas várias regiões do estômago.
 
O objetivo da investigadora de 32 anos passa por desenvolver um tratamento inovador que possa ser usado em alternativa aos antibióticos que, sendo a única forma de combater a infeção por Helicobacter pylori, se mostram ineficazes num em cada cinco casos.
Estima-se que o tratamento convencional com base em antibióticos falhe em cerca de 140 milhões de casos de infeção por Helicobacter pylori.
 
Incapacitar o parasita da Malária
 
Joana Tavares, licenciada em Ciências Farmacêuticas e doutorada em Bioquímica pela Universidade do Porto, verificou que o parasita da malária, uma vez que entra na circulação sanguínea, fica retido nos sinusoides hepáticos, o que lhe permite instalar-se no fígado e ficar retido na circulação hepática dando origem a graves problemas de saúde que podem culminar na morte dos pacientes.
 
A investigadora de 34 anos tem vindo a identificar as moléculas envolvidas neste processo para alterar esta capacidade do parasita e abrir novas pistas para o desenvolvimento de uma vacina que previna a malária. Segundo a Organização Mundial de Saúde, só em 2010 morreram cerca de 660 mil pessoas vítimas deste parasita.
 
Neste projeto, a investigadora dá continuidade aos trabalhos que realizou no Instituto Pasteur, em Paris, durante o seu pós-doutoramento.
 
Poupar dinheiro e o ambiente reciclando gás anestésico 
 
A terceira investigadora distinguida, Luísa Neves, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, está a desenvolver uma técnica capaz de capturar o dióxido de carbono produzido pela expiração dos pacientes durante a anestesia, purificando o gás anestésico para que este possa ser reutilizado.
 
Ao remover o dióxido de carbono, o gás anestésico pode ser reutilizado (nomeadamente o gás Xenon), reduzindo os custos hospitalares na área da cirurgia.
O impacto económico será também relevante porque a estratégia proposta permite eliminar também a despesa hospitalar associada à incineração do hidróxido de cálcio, que é atualmente utilizado para a captura de dióxido de carbono.

Para além de eliminar este custo, o processo proposto possibilita igualmente a captura do dióxido de carbono que é nocivo ao ambiente.
Para remover aquele que é um dos principais gases responsáveis pelo efeito de estufa, Luísa propõe conjugar um líquido iónico biocompatível e a enzima Anidrase Carbónica que, em contato com a corrente gasosa anestésica a tratar, vão remover o dióxido de carbono de forma seletiva.
A técnica será aplicada através de um equipamento compacto, adequado para uso hospitalar.
 
Prémio já distinguiu 31 investigadoras portuguesas
 
Lançado em 2004 - numa parceria da L’Oréal Portugal, a Comissão Nacional da UNESCO e Fundação para a Ciência e a Tecnologia - este programa científico nasceu para incentivar jovens investigadoras que efetuam a sua pesquisa em Portugal, já doutoradas e com idade até aos 35 anos, a prosseguir estudos originais e relevantes para a saúde e o ambiente.
 
Até esta 10.ª edição, o prémio já distinguiu 31 investigadoras nacionais.
O prémio internacional For Women in Science foi criado em 1998 e reconhece anualmente cinco cientistas consagradas, nos cinco continentes, tendo já distinguido 77 cientistas, duas das quais foram depois premiadas com o Nobel.
 
Em conjunto, a UNESCO e a L'Oreal lançaram também diversos programas de apoio a jovens cientistas que, até final de 2013, apoiaram mais de 1650 bolseiras, em 108 países.

Notícia sugerida por Elsa Martins, Maria Manuela Mendes, Elsa Fonseca e Maria da Luz

domingo, 15 de dezembro de 2013

CIÊNCIA - Prémio Pessoa - Maria Manuel Mota

Do Blog "Gota de Água" retirei esta reportagem.
Mais uma investigadora portuguesa que recebe um prémio importante.
É necessário replicar estes casos de sucesso.
Só assim Portugal poderá competir no Mundo globalizado.

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Domingo, 15 de Dezembro de 2013


CIÊNCIA - Prémio Pessoa - Maria Manuel Mota


Todos os dias se comprove que, afinal, não houve uma década perdida.
"O prémio é para toda uma geração" (JJ)
"Investigadora Maria Manuel Mota, de 42 anos, venceu o Prémio Pessoa e dedicou-o à nova vaga de cientistas que, tal como ela, voltaram a Portugal  

Maria Manuel Mota ainda não se tinha refeito da surpresa de vencer a 27.ª edição do Prémio Pessoa quando falou ao CM. 
 
"Nunca me passou pela cabeça ganhar. Isto vai motivar a minha equipa a andar para a frente. Mas é sobretudo um prémio para toda uma geração de investigadores que o País apoiou com bolsas no estrangeiro e que voltou para dar um empurrão enorme à ciência portuguesa" afirmou a investigadora, natural de Vila Nova de Gaia e que fez licenciatura em Biologia e mestrado em Imunologia na Universidade do Porto.
 
Prosseguiu os estudos em Inglaterra e nos Estados Unidos e regressou a Portugal há 11 anos, chefiando atualmente o grupo de vinte cientistas que estuda a malária no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.
A cientista avisa para os perigos atuais." Por causa da crise, estamos sempre à beira do precipício, e há o risco de tudo o que foi construído ser destruído", diz.

Além da investigação sobre a malária, a investigadora foi premiada pela atividade de filantropia científica, como fundadora da Associação Viver a Ciência.

Maria Manuel Mota, de 42 anos, ainda não pensou no que fará com os 60 mil euros do prémio, mas garante que este valor "vai ajudar" na investigação que está a desenvolver.

A investigadora foi felicitada pelo Governo e pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.  

(texto de BERNARDO ESTEVES)