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domingo, 25 de novembro de 2018

O Mármore..., por António Galopim de Carvalho

António Galopim de Carvalho
24/11/2018
MÁRMORE
A trágica derrocada na pedreira de Borba trouxe à boca dos portugueses a palavra “mármore”. 

A imagem pode conter: ar livre

Será que os nossos decisores políticos, os nossos jornalistas e comentadores de serviço e o cidadão comum sabem o que é o mármore?
Aproveitemos então a triste oportunidade para falar desta rocha ou desta pedra, como preferirem.



Muito antes de existir a ciência que dá pelo nome de Geologia e muito antes dos geólogos compreenderem e descreverem o metamorfismo, a palavra latina “marmor” já figurava entre os romanos.
Ao tempo de Agricola, o médico alemão, de nome Georgius Bauer (1495-1555), que reviu as classificações do romano Plínio, o Velho, (23-79), do persa Avicena (980-1037) e do dominicano alemão Alberto Magno (1193.1280), mármore, era toda a pedra susceptível de ser usada em cantaria. 
Eram “mármores” o calcário, o alabastro, o basalto (“mármore negro”, como lhe chamou Plínio), o arenito fino do “Buntsandstein” (ou Triásico germânico) e o mármore propriamente dito (o da pedreira de Borba, agora tão falada).

Mesmo hoje, entre nós e em termos comerciais, no sector das pedras ornamentais, ainda se classificam como mármores as rochas que permitem o corte e o polimento
Para falarmos de mármore temos, primeiro, de falar de calcário. Isto porque, em traços muito gerais, o mármore não é mais do que calcário transformado (metamorfizado) por efeito de aquecimento e compressão sofridos no interior de uma cadeia de montanhas em formação.
Para o geólogo, mármore é, pois, uma rocha resultante do metamorfismo de um calcário. Para o construtor civil é uma da muitas rochas ou pedras ornamentais existentes no mercado.

- E o que é e como se forma o calcário? – Pergunta quem não sabe.
A imensa maioria dos calcários, como os que temos aqui no Cretácico de Lisboa e Pero Pinheiro (o conhecido lioz), e no Jurássico das Serras d’Aire e Candeeiros, Arrábida e do Barrocal algarvio, é gerado em mares muito pouco profundos das latitudes intertropicais, de águas límpidas e mornas, como por exemplo os das Caraíbas do Golfo Pérsico e da Grande Barreira de Coral, no nordeste australiano (Queensland). 
Estes mares são propícios à formação de corais e de uma grande variedade de invertebrados (bivalves, gastrópodes, ouriços e estrelas do mar, crustáceos, briozoários, foraminíferos e outros) construtores de esqueletos de natureza calcária, e de certas algas, ditas coralígenas, igualmente construtoras de esqueletos de natureza calcária. 
Na grande maioria dos casos, é a acumulação dos restos esqueléticos (inteiros, fragmentados e/ou pulverizados) deste organismos, todos eles formados por carbonato de cálcio (aragonite e/ou calcite), que, depois de intensamente compactados e consolidados, dá origem ao calcário.

Foi assim no passado e é o que está a acontecer nos dias de hoje nos citados mares quentes da Terra?
Um parêntesis para dizer que aragonite e calcite são duas formas (ou dois minerais) diferente de carbonato de cálcio, sendo que a segunda é mais estável, razão pela qual, com o passar do tempo, a aragonite dos referidos esqueletos calcários se transforma em calcite, o mineral essencial do calcário calcítico e do mármore que, igualmente, podemos dizer calcítico. Isto porque também há mármores dolomíticos.
Para falarmos do mármore alentejano (grande riqueza nacional no sector da Indústria extractiva), temos de recuar a um oceano antigo, que aqui existiu há bem mais de três centenas de milhões de anos, e admitir que houve, neste local do território, mas a uma latitude mais baixa (como a dos actuais mares tropicais), um mar litoral propício à proliferação de organismos, bem diferentes dos actuais, mas todos eles construtores de esqueletos de natureza calcária.
Foi durante a formação da grande cadeia de montanhas que abrangeu toda a Península Ibérica (orogenia varisca ou hercínica de há 380 a 280 milhões de anos, no final da era paleozóica) que, entre outras rochas, deu origem aos xistos, grauvaques, quartzitos e granitos que formam a respectiva ossatura, que nasceu este mármore, por transformação do dito calcário.
Numa descrição mais pormenorizada podemos dizer que o mármore calcítico, como o que temos em Estremoz-Borba-Vila Viçosa, os de Viana do Alentejo ou os de Trigaches. perto de Beja , tem estrutura granoblástica, isto é, apresenta grãos minerais (calcite) aproximadamente todos do mesmo tamanho (equidimensionais) e sem orientação. 
Menos importantes, mas contemporâneos e tendo sofrido as mesmas vicissitudes, temos, ainda, no Alentejo, os mármores de Sousel, Elvas, Escoural, Alvito e Ficalho. Merece, ainda, referência o mármore branco de Vimioso (esgotado), em Santo Adrião, no Nordeste transmontano.

Menos comum, o mármore dolomítico resultou do metamorfismo de dolomitos (rochas sedimentares essencialmente formadas pelo mineral dolomite, o carbonato de cálcio e magnésio). 
Como mármore dolomítico merce destaque a chamada “pedra cascável”, subjacente aos mármores calcíticos de Estremoz-Borba-Vila Viçosa.
Com nomes consagrados na indústria e no comércio nacionais destacam-se os mármores:
- na região de Vila Viçosa: Branco Estatuária, Branco Anilado, Creme Lagoa, Rosa Aurora e Rosa Venado.
- na região de Estremoz: Branco Corrente, Branco Rosado e Creme Venado.
- na região de Borba: Ruivina Escuro, Creme do Mouro, Rosa de Rosal e Rosa Venado:
- na região de Escoural: Verde Escoural.
- na região de Viana do Alentejo: Verde Viana.
- na região de Trigaches (Beja): Cinzento Anegrado, Cinzento Claro
- na região de Serpa: Verde Ficalho

Notas:
Diz-se marmoreado ou marmóreo, o que lembra o mármore, na cor, no frio, na insensibilidade.

Marmorite é um produto fabricado, destinado pavimentos e revestimento de paredes. Consiste, geralmente, numa mistura de fragmentos de rochas diversas (mármore, calcário e outras) aglutinados por um cimento. Uma vez seco, é serrado, polido e usado em pavimentos, à semelhança das rochas ornamentais.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Uma simples análise SWOT de Portugal, por Rui Ramos Pinto Coelho

Hoje ao passar os olhos pelo "OJE" deparou-se-me um texto, da autoria do Gestor Rui Ramos Pinto Coelho, que achei deveras interessante e pouco tratado pelos nossos "mídia" e tomei a liberdade de o transcrever:

Uma simples análise SWOT de Portugal

Por: Rui Ramos Pinto Coelho
 
Agora que se discutem programas para o futuro do país, talvez seja interessante partilhar um exercício, partidariamente descomprometido, de ordenação das principais forças e fraquezas (internas) e das oportunidades e ameaças (externas) de Portugal. Ou seja, uma simples análise SWOT, como contributo para a definição de estratégias para atingir o máximo desenvolvimento sustentável, que todos desejamos.
 
Pontos Fortes:
 
– Cidadãos (talentos) nacionais e estrangeiros residentes, de todas as áreas. Um potencial enorme e mal aproveitado devido aos fortes obstáculos no acesso a educação e emprego de qualidade, com que muitos se deparam, dificultando as possibilidades de realização e de maximização da sua rentabilidade, em prol do país;
– Diáspora, cerca de 5 milhões de talentos espalhados pelo mundo, empresários, investigadores, artistas, gestores, técnicos, de valor incalculável como “embaixadores” de Portugal, parceiros de negócio, investidores e até consumidores de produtos portugueses;
– Território e recursos naturais, do Minho ao Algarve e Ilhas, incluindo o nosso enorme mar. Muito dele com infra-estruturas de excelência. Não é por falta destes recursos que o país não é rico, mas sim pela incapacidade de os aproveitar da melhor forma;
– União Europeia, pertencer ao maior bloco económico mundial (500 milhões de habitantes) e o mais civilizado, mercado para os nossos produtos, rede de segurança económica e militar é uma enorme vantagem, que poderia ainda ser melhor se se melhorasse o seu funcionamento;
– Portugal 2020, 25.000 milhões de euros disponíveis para financiar o nosso desenvolvimento colectivo que, se bem utilizado e tanto quanto possível antecipado, poderá impulsionar fortemente a economia.
 
Pontos Fracos:
 
– Dívida externa, elevadíssima, que nos torna vulneráveis face a qualquer problema nacional ou internacional que possa ocorrer, e vão ocorrer, devendo assim a sua redução, profunda e acelerada, ser uma prioridade;
– Sistema politico-constitucional, aparentemente bloqueado, que dificulta a obtenção de maiorias e consensos e promove fracas lideranças que, “tornam fraca a forte gente”, incapazes (?) de colocar o país à frente de interesses menores;
– Arquitetura legislativa e administrativa confusa, promotora de lentidão e injustiças, demasiado preocupada com o acessório – procedimentos, e não com o essencial – a justiça e o desenvolvimento;
– Nível de exclusão, educativo, cultural e económico muito elevado. Atente-se ao desperdício de ter 14% de desemprego (oficial…).
 
Oportunidades:
 
– Globalização, aparente inevitabilidade civilizacional com a qual podemos ganhar muito, se soubermos jogar o seu jogo, ou perder muito se a quisermos contrariar unilateralmente… Dela decorrem oportunidades em todas as áreas, designadamente no comércio, turismo e na captação de:
– Talentos, agora que, como nunca, os talentos podem viver em qualquer lugar devíamos aproveitar a nossa qualidade de vida, boa imagem internacional e outras vantagens competitivas, para atrair os melhores de todo o mundo;
– Investimentos, agora que, o dinheiro nunca foi tão móvel e abundante, devíamos procurar captar o máximo de investimento externo, até à próxima crise;
– Empresas, agora que há um enorme movimento de criação de centros de serviço e nearshoring por parte de multinacionais, que procuram um mix de acesso a mercados e disponibilidade de recursos de qualidade a baixos custos, e tendo nós excelentes argumentos nestes domínios, deveriam ser prioritárias as medidas que contribuam para captar um máximo de empresas estrangeiras.
– Formação gratuita e massificada em programação, dando a todos: oportunidades de emprego, bases para criação dos seus próprios empregos (empreendedorismo) e literacia digital (novo factor de exclusão);
– Inovação, podemos (devemos) sempre inovar (reformar), por exemplo transformarmo-nos no país em que a relação entre os cidadãos e as empresas e o Estado é a mais simples. Não é difícil, nem caro, e trará enormes poupanças ao Estado, Empresas e Famílias, tendo forte efeito multiplicador na economia;
– CPLP, parceria estratégica com 250 milhões de habitantes em quatro continentes, que importa colocar rapidamente a produzir resultados palpáveis para populações e empresas.
 
Ameaças:
 
– Crises internacionais com efeitos no aumento dos juros da dívida;
– Crises nos nossos principais parceiros que afectem as nossas exportações e/ou os nossos emigrantes;
– Catástrofes Naturais, sabendo-se que é uma questão de tempo até à próxima, seria importante que fossem tomadas providências;
– Fuga acelerada de talentos e baixa natalidade, ou como caminhar a passos largos para a irrelevância;
– Consequências do aquecimento global como a subida das águas do mar e a maior competição pela água na Península Ibérica;
 
Rui Ramos Pinto Coelho
Gestor
ruirpcoelho@gmail.com

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Região do Alentejo eleita destino preferido para 2014


Região do Alentejo eleita destino preferido para 2014                



In "Boas Notícias" de Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013
  
A região do Alentejo foi eleita o destino preferido para 2014 pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.
A escolha de um novo destino de eleição em Portugal vai de encontro ao compromisso daquela entidade por forma a ajudar ao crescimento do turismo numa região específica do país. 
 
Lançada em 2012, a iniciativa 'Destino Preferido da APAV' elegeu o arquipélago dos Açores para 2013 e, agora, a região alentejana para 2014.
Este ano, a campanha mostrou mesmo ter dado os seus frutos, com a nomeação dos Açores como Destino Preferido 2014, pela Federação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticios.
 
O anúncio do destino de eleição escolhido pela associação portuguesa para 2014, foi feito pelo presidente Pedro Costa Ferreira, no 39º Congresso da APAVT, que decorreu, há duas semanas, em Angra do Heroísmo, nos Açores, e contou com mais de 500 participantes de todos os ramos do setor.
 
Para o ano, uma vez que a escolha recai sobre o Alentejo, o grande evento será realizado em Évora.

Nesse sentido, está já a ser pensado um vasto programa de iniciativas com vista à promoção desta região no mercado nacional, que culminará, precisamente, em Dezembro de 2014, com a realização do 40º congresso da APAVT, em Évora.

Notícia sugerida por Ana Rita Teixeira